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Os riscos que o uso exacerbado de redes sociais pode gerar
Por Camila Naxara | Publicado em 14 de junho de 2021 ás 18:48

Conforme a Pandemia se estende, nossos corpos são levados ao limite cibernético e desse uso excessivo podem nascer doenças reais. redes sociais

redes sociais

Em setembro 2020, pairou sobre a costa oeste dos EUA uma grande nuvem escura e cinzenta, devido aos frequentes incêndios florestais.

Milhões de pessoas se viram repentinamente ainda mais presas dentro de casa sem poder, ao menos, ficar um pouco ao ar livre. Dentre essas pessoas, o escritor Jack Riewe, morador de Seattle, conta que seus dias “presos” em casa resumiam-se em: alternar entre trabalho remoto (no computador), assistir TV e ler notícias sobre os incêndios, sempre atualizadas nas redes sociais.

O escritor permaneceu por uma semana grudado as telas; foi então que começou a sentir náuseas, angústia e vertigem. Ainda assim, ele achou que poderia ser por conta da má qualidade do ar e até mesmo pensou ter sido infectado pelo coronavírus. Contudo, esses não eram os verdadeiros causadores das sensações ruins de Riewe.

Em suma, essas eram consequências físicas de se viver quase que completamente um mundo virtual.


Redes Sociais e Pandemia

É nítido o quanto a pandemia nos aproximou ciberespaço, nos “obrigando” a ficar, em níveis incomparáveis, cada vez mais tempo on-line. Afinal, foi através de nossos computadores e smartphones que passamos a trabalhar, assistir aulas e ler as enxurradas de notícias; sem contar os shows e festinhas virtuais.

Entretanto é necessário afirmar que nosso corpo não foi feito para passar a maior parte do tempo no mundo digital. À medida que se vive mais tempo no espaço virtual, uma reação chamada cybersickness (náusea digital) surge e ao que parece, já atinge a população em geral.

Acreditava-se que o cybersickness era causado apenas pela experiência de imersão com óculos de realidade virtual. Mas pelo jeito, ficar “perambulando” pela Netflix ou ficar alternando entre as redes sociais também pode ocasionar cybersickness quando usado em circunstâncias excepcionais, por exemplo: todos os dias ou um dia inteiro.

A náusea digital é semelhante ao enjoo natural que temos e ocorre devido ao conflito vestibular visual. Por exemplo, quando estamos olhando para a tela do celular e piscando, o nosso cérebro acha que estamos em movimento. Contudo, nosso sistema vestibular (ouvido interno) e proprioceptivo (sensações corporais) percebem que estamos parados.

Ou seja, o cybersickness é apenas uma espécie das várias formas de náusea relacionada a movimento percebido.


Algo recorrente

Pra se ter uma noção do quão antigo são doenças causadas pela percepção desajustada, há relatos que datam de 800 a.C., quando gregos descreveram sobre uma “praga no mar”. Naquela época, os navios eram extremamente importantes para o comércio, guerra e migrações, mas algumas pessoas eram totalmente intolerantes a pequenas viagens em alto mar.

Inclusive, a palavra náusea originou-se nessa mesma época, vem da palavra grega “naus” (návio).

Em 300 a. C, os antigos chineses também documentaram relatos de náuseas provenientes de vários tipos de fontes, como a zhuche provocada pelo balanço das carroças e zhuchuan, causada pelo balanço dos barcos.

Hoje em dia sabemos que a sensação de enjoo (dos antigos) causada por movimento vem do sistema vestibular. Quando ele percebe movimento enquanto o sistema visual não percebe, a desarmonia pode provocar enjoos, vômitos, tontura e desequilíbrio.

No caso do cybersickness, funciona ao contrário. Ao invés de se movimentar enquanto parece estar parado — que é basicamente a sensação que temos ao olhar o horizonte imóvel, estando dentro de um barco em movimento — nós fiamos parados, observando a movimentação vinda da tela; isso gera um enigma semelhante para nosso corpo.

Vale lembrar que do ponto de vista clínico não há diferença alguma entre as duas condições; Por tanto, eles possuem os mesmos sintomas e sensações.


Nada a nosso favor

O grande problema é que estamos passando por uma pandemia que nos obriga a ficar dentro de casa. Assistimos a filmes, aulas, jogamos e trabalhamos, tudo através das telas. O que acabou acarretando numa exacerbação dos sintomas leves que algumas pessoas sentiam antes da pandemia.

É bom elucidar que o tempo exagerado que passamos imersos em rede sociais, pode ser um gatilho para os sintomas do cybersickness, que se não cuidado, também pode evoluir para um quadro de ansiedade.

Entretanto, alguns minutos navegando pelo TikTok, alternando janelas no computador ou abrindo a Netflix para assistir um programa específico pode ser benéfico. Tudo depende do tempo de exposição. Quando a atividade se arrasta por horas, como acontece na quarentena, a movimentação continua da tela pode nos causar a náusea digital.

Ao que parece, o tempo excessivo em frente as telas sobrecarrega nosso sistema, gerando uma desarmonia profunda.

Seja como for, se você precisa passar várias horas em frente ao notebook e smartphone, opte por não fazê-lo deitado. Justamente por que nessa posição seu corpo fica totalmente relaxado e a movimentação continua dos seus olhos irá deixar seu sistema vestibular “louco”.

Além disso, movimente o conteúdo da tela lentamente, para que seus olhos consigam acompanhar.


Dispositivos tóxicos

O enjoo de movimento e o cybersickness são bem documentados, mas algo continua a intrigar os pesquisadores. O porquê da desconexão entre os sistemas vestibulares e visual causar náuseas.

Pessoas com cybersickness apresentam dor e náuseas, que é basicamente uma forma da mãe natureza nos dizer para “parar de fazer algo”, entretanto não sabe-se ainda do que ela vem tentando nos prevenir.

A dor nos passa a mensagem de: não gostou da sensação? Então, nunca mais faça “isso”! Porém, a náusea é mais sútil e imprevisível, principalmente quando está relacionada a uma atividade que não parece nada perigosa, como olhar o horizonte enquanto veleja ou ficar mexendo no celular.

A hipótese é a de que há uma falha na ativação de um reflexo que evoluiu para nos manter a salvo das toxinas. Por exemplo o álcool, quando consumido exageradamente faz com que sintamos tudo ao nosso redor girando, muito embora saibamos que aquilo não passa de uma sensação.

Aparentemente, o corpo evoluiu no sentido de relacionar o efeito de atordoamento a uma ameaça e induzir náuseas, com o intuito de ajudar a eliminar as possíveis toxinas e nos manter vivos.

Por fim, a náusea provocada por um fator não ameaçador. como navegar em redes sociais, pode ser uma metáfora. Algo que tenta nos alertar a respeito da toxicidade emocional que o exagero on-line desencadeia, talvez o cybersickness seja uma espécie de antídoto para um veneno real, relações humanas rasas.

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