Fungo raro pode desencadear uma nova epidemia na Índia

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Fungo raro pode desencadear uma nova epidemia na Índia
Por Camila Naxara | Publicado em 26 de maio de 2021 ás 21:47

Medicamentos usados no tratamento da Covid-19 e níveis elevados de glicemia são os possíveis responsáveis pelo aumento de casos de um fungo raro, chamado de mucormicose. O Ministério da Saúde pediu para que os Estados decretem epidemia.

fungo índia mucormicose
Médico avaliando paciente com mucormicose.

Com sucessivos recordes negativos, a Índia sofre pelo descontrole referente ao Coronavirus; são 26 milhões de casos da Covid-19 e cerca de 311 mil óbitos. Além disso, a população está prestes a enfrentar um novo problema: uma infecção fúngica.

Ao que tudo indica, o provável responsável é o uso indiscriminado de esteroides no tratamento do coronavirus. Os esteroides diminuem a inflamação nos pulmões, entretanto o uso demasiado do medicamento em pacientes com covid-19 resulta em hiperglicemia e baixa imunidade.

O problema é que a Índia é a capital mundial da diabetes, e pacientes com coronavirus e diabetes descontrolado, que foram tratados com esteroide, são super suscetíveis a essa infecção.

A mucormicose é uma infecção extremamente rara conhecida como fungo negro, devido a pigmentação escura, e apresenta uma taxa de até 50% de letalidade. Ainda mais, costuma deixar graves sequelas, como a necessidade da retirada dos ossos da mandíbula e/ou olhos.

Enquanto a Índia ainda sofre com a passagem da segunda onda de Covid-19, especialistas da área da saúde preveem que os casos de mucormicose aumentarão nas próximas semanas.

O cirurgião Manish Munjal, que atendia de dois a três pacientes com o fungo negro por mês, relata que atendeu cerca de 250 pessoas com a infecção fúngica nos últimos 30 dias.

Manish Munjal explica que, a preocupação é que este seja apenas o começo de algo muito maior e devastador. A infecção pelo fungo, geralmente, surge duas ou três semanas após o tratamento com esteroides, ou seja, o número de casos pode aumentar muito nas próximas semanas.


O que é o fungo que causa mucormicose?

A mucormicose é uma infecção invasiva causada pela classe de fungos Mucorales. Essa ordem de fungos acontece naturalmente no meio ambiente e é bem comum no solo.

As pessoas contraem a infecção através da inalação dos esporos do fungo (que flutuam na poeira e no ar). Posteriormente, os esporos alojam-se nos seios da face e nasais, justamente por isso causam doenças nessa região.

É interessante entender que nem todas as pessoas expostas aos esporos contraem a infecção. Na maioria dos casos, pessoas com sistema imunológico normal, apresentam quadro assintomático. Sendo assim, o desenvolvimento da doença de forma invasiva dependerá do estado de saúde do paciente.

Pessoas infectadas pelo covid-19, quando sujeitadas ao tratamento com esteroides, podem ter seu sistema imune enfraquecido. Em contrapartida, os médicos vêm tendo uma percepção totalmente equivocada, receitando altas doses de esteroide para tratar pacientes com covid.

Quanto mais grave o caso de coronavirus, maior é a dose; vale ressaltar que não foi corroborado nenhum estudo que comprove a eficácia de tal medida.

Fungo raro
O mucormicose é encontrado no solo, plantas, esterco e frutas e vegetais em decomposição.
A doença não é transmitida entre pessoas, mas pode ser adquirida através do ambiente em que estiver presente.

Outro grande problema é a quantidade de pessoas diabéticas com covid-19, visto que o uso excessivo de esteroides no tratamento podem aumentar os níveis glicêmicos do paciente. A hiperglicemia associada a maior acidez no sangue é tudo que o fungo negro precisa para se desenvolver.

Nos paciente vulneráveis, os esporos criam longos filamentos que podem crescer nos seios da face, ossos e corrente sanguínea. Os sintomas e a infecção pelo fungo variam muito de pessoa para pessoa.

Os infectados podem apresentar forte dor de cabeça, febre, dor nasal e facial, secreção escura do nariz, perda da visão, dor de dente, inchaço no maxilar bem como, paralisia facial.

Se a infecção não for tratada precocemente, pode até causar desfiguração, além de que, pode atingir o sistema nervoso central e ser fatal.


Tratamento do fungo

O tratamento é feito com injeções de anfotericina B lipossoma, antifúngicos, por no mínimo 10 dias. Todavia, esses medicamentos podem causar efeitos colaterais significativos, inclusive danos nos rins.

Em casos menos graves é inserido um endoscópio na cavidade nasal e remove-se o tecido afetado, mas em casos graves, onde a infecção se disseminou, os cirurgiões podem ter que remover a mandíbula e/ou os olhos.

De acordo com o centro odontológico Samadhan Dental Super Speciality Center em Dhule, Maarastra, 50 ex-pacientes de covid-19 que desenvolveram o fungo, passaram por cirurgia; sendo que 25 pacientes removeram total ou parcialmente a mandíbula para conter a propagação do fungo.

Fungo raro
O provável responsável é o uso indiscriminado de esteroides no tratamento do coronavirus.

Já os Hospitais da Fundação Médica de Maarastra, da cidade de Pune, trataram de doze pacientes com mucormicose, sendo que dois perderam os olhos. Neste mesmo hospital, antes da pandemia, tratava-se de dois a três pacientes com o fungo raro, por ano.

No domingo, o Conselho Indiano de Pesquisa Médica emitiu um comunicado para rastreamento, diagnóstico e tratamento da mucormicose.

Além de todos os problemas referentes a covid-19 e ao fungo, os hospitais e pacientes sofrem com a falta de medicamentos antifúngicos, devido a crescente demanda e o valor cada vez mais alto dos mesmos.

Ademais, já está ficando difícil encontrar hospitais que façam cirurgias em pessoas com mucormicose, já que o sistema de saúde está sobrecarregado.

Por mais que os casos de mucormicose na Índia ainda afetem uma pequena fração dos pacientes com covid-19 do país, o aumento é preocupante.

A situação é caótica e especialistas em saúde pública enfatizam que os hospitais devem manter a extrema higiene de equipamentos que forneçam oxigênio, para prevenir novas infecções. Além de monitoramento da glicemia de todos os pacientes com covid-19, estejam eles internados ou não, e mesmo no período após a recuperação.

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