Biografia da Irmã Dulce: A Santa brasileira que dedicou a vida aos pobres

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Biografia da Irmã Dulce: A Santa brasileira que dedicou a vida aos pobres
Por GML | Publicado em 6 de maio de 2021 ás 20:32

Você conhece a história de Irmã Dulce, a brasileira que se tornou Santa por dedicar a vida aos pobres e realizar 2 milagres reconhecidos pelo Vaticano?

Irmã Dulce

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, nasceu na cidade de Salvador em 1914 e faleceu com quase 78 anos de idade, em 1992. Ficou conhecida no mundo todo como Irmã Dulce devido a sua fé, devoção e sobretudo por sua caridade e acolhimento aos necessitados. Preocupou-se com os pobres e dedicou sua vida toda a ajudá-los.

Papa Bento XVI, a beatificou em 2010 e Irmã Dulce ficou reconhecida como “Bem-aventurada Dulce dos Pobres”. Ainda mais, houve uma grande celebração no Vaticano, em 2019, onde Papa Francisco a declarou Santa.

Acima de tudo, Irmã Dulce foi uma criança cheia de vida, que adorava brincar de boneca, empinar arraia e amava futebol. Além disso, torcia assiduamente pelo Esporte Clube Ypiranga, time formado pela classe trabalhadora e os excluídos sociais.

De acordo com seus pais, Augusto Lopes Pontes (dentista e professor da UFBA) e Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, desde criança a Irmã desejava seguir vida religiosa para ajudar as pessoas.

Ainda na adolescência, seu primeiro feito foi reunir um grupo de amigos para ajudar os mendigos, carentes e enfermos. Analogamente, arrecadava roupas de frio, comida e remédios para doar aos necessitados.

Formação Religiosa da Irmã Dulce

Em 1921, com 7 anos de idade, Irmã Dulce perdeu sua mãe, que tinha apenas 26 anos. Posteriormente, junto com seus irmãos, fez a primeira comunhão na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo.

Dulce queria entrar para o convento aos 13 anos de idade, mas foi impedida por ser muito jovem. Sendo assim, decidiu fazer o seu “próprio convento”, em sua casa.

Graças a seu senso de justiça, traço marcante revelado ainda na infância, a irmã passou a acolher mendigos e doentes, transformando a residência de sua família num centro de atendimento. Nessa época, a vizinhança apelidou sua casa de A portaria de São Francisco”. 

Enquanto ajudava os pobres, Irmã Dulce se dedicou a estudar também. Formou-se como professora primária em 1932.

No ano seguinte, em 1933, entrou para Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe.

Por fim, em 1934, fez votos de fé, tornando-se freira e recebendo o nome de Irmã Dulce em homenagem à sua mãe.

Voltou para Salvador, já como freira e sua primeira missão foi ensinar em um colégio mantido pela sua congregação. Entretanto, seu grande desejo era realizar trabalhos voluntários e se dedicar aos necessitados.

Irmã Dulce

Algumas Realizações da Irmã Dulce

Em 1935, além de lecionar, Irmã Dulce passou a dar assistência à comunidade pobre de Alagados, bem como atender aos operários que eram numerosos naquele bairro.

Com 22 anos de idade, em 1936, criou o primeiro posto médico para atender os operários e fundou a União Operária São Francisco – primeira organização de operários católicos da Bahia – que defendia os direitos dos trabalhadores.

Neste mesmo ano, a irmã também inaugurou o Colégio Santo Antônio para os operários e seus familiares, e abriu um albergue para doentes, localizado no convento de Santo Antônio. O espaço depois se tornou no Hospital Santo Antônio.

Irmã Dulce

Em 1937, juntamente com Frei Hildebrando, a irmã criou o “Círculo Operário da Bahia”, com objetivo de difundir a consciência de classe, criar cooperativas, promover socialmente e culturalmente os operários, tal qual defender os direitos de cada um deles.

Com dinheiro de doações, foram construídos 3 cinemas – o Cine Roma, o Cine Plataforma e o Cine São Caetano.

Em 1939, Dulce invadiu 5 casas abandonadas na Ilha dos Ratos, para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Mas foram expulsos de lá pela prefeitura e sem lugar para cuidar dos enfermos, a Irmã peregrinou durante uma década, levando os seus doentes para vários lugares da cidade.

Uma verdadeira cristã!

Em 1941, também iniciou a “obra do quilo”, para ajudar as famílias carentes dos operários.

E por fim, em 1949, Irmã Dulce finalmente conseguiu ocupar um terreno ao lado do Convento Santo Antônio, após autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. Como resultado, a iniciativa deu origem à tradição propagada há décadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia.

Irmã Dulce

Em 1950, começou atender os presos da conhecida cadeia Coreia, que sofriam com a falta de alimentos e higiene. Neste mesmo ano, também iniciou-se o serviço de alimentação a preço popular, no Círculo Operário da Bahia.

E então em 1959, foi inaugurado oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce, que passou a receber ajuda e doações de vários lugares do Brasil.

Do mesmo modo, em 1960, veio a inauguração de mais um albergue para acolher enfermos. Este com 150 leitos.

No ano de 1964, aconteceu a inauguração de mais uma importante obra da Irmã Dulce, um centro educacional para meninos sem referência familiar. Em suma, o intuito era ajudar mães solteiras e educar crianças pobres.

Em 1974, a irmã criou um pavilhão a mais no hospital para dedicar ao atendimento de pessoas com deficiência. Por último, em 1983, o novo hospital Santo Antônio, com 400 leitos, foi enfim concluído.

O Reconhecimento

As obras da Irmã Dulce foram possíveis com a ajuda do povo baiano, depois dos brasileiros de diversos estados e até mesmo de personalidades internacionais. Devido a sua enorme bondade, a Irmã ficou conhecida em vários lugares do mundo.

Em 1980, durante a primeira visita do Papa João Paulo II no Brasil, Dulce recebeu do Papa um terço. Ela também ouviu as seguintes palavras: “Continue, Irmã Dulce, continue”.

Irmã Dulce e Papa João Paulo II

Em 1988, a Irmã Dulce foi indicada pelo então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia, para o Prêmio Nobel da Paz.

Em 2000 recebeu do Papa João Paulo II o título de “Serva de Deus”. Cinquenta anos – da vida da benfeitora – dedicados a dar assistência aos doentes, pobres e trabalhadores.

Em outubro de 2010, o Vaticano confirmou um milagre atribuído à religiosa baiana: a recuperação de uma mulher desenganada depois do parto.

A cerimônia de beatificação foi realizada em Salvador, no dia 22 de maio de 2011, presidida pelo Arcebispo Emérito de Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo, enviados do Papa Bento XVI.

Em 2019, o Vaticano reconheceu o segundo milagre de Irmã Dulce, sendo proclamada Santa. O milagre aconteceu com um músico que pediu ajuda à Irmã Dulce e voltou a enxergar, após ter sido cego por 14 anos.

Milagre de Irmã Dulce

A morte

A Irmã Dulce e o Papa João Paulo II voltaram a se encontrar em 1991, na segunda visita do Sumo Pontífice ao Brasil. O Papa fez questão de quebrar o protocolo de sua agenda e foi ao Convento Santo Antônio visitar a religiosa baiana, cuja saúde já se encontrava bastante debilitada em função de problemas respiratórios.

Cinco meses depois da visita do Papa, nós, brasileiros, perdemos um Anjo Bom do Brasil. A irmã faleceu em 13 de março de 1992, pouco tempo antes de completar 78 anos.

No velório, que ocorreu na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador, compareceram políticos, empresários, artistas e milhares de pessoas simples e anônimas. Seus restos mortais estão enterrados na Capela do Hospital Santo Antônio.

A fragilidade com que viveu os últimos 30 anos da sua vida – tinha 70% da capacidade respiratória comprometida – não impediu que ela construísse e mantivesse uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país, uma verdadeira obra de amor aos pobres e doentes.

Irmã Dulce e Papa João Paulo

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